abr 20, 2018 / por James McSill / Nenhum comentário

Uma carta de apresentação é uma carta de uma página – veja bem UMA página, a ideia é ser sucinto e ganhar a atenção – introduzindo você e seu manuscrito.

O segredo é torná-la apelativa suficiente para conseguir a atenção do endereçado.

Uma boa carta de apresentação tem duas finalidades:

  • fazer o agente/editor ler seu livro;
  • tornar fácil para ele contatá-lo e requisitar todo o material necessário para avaliação.

Parece fácil, eu sei, mas a verdade é que o autor desavisado tropeça feio nessa etapa.

A primeira coisa que você deve pensar antes de escrever é no profissionalismo. Ela é muito parecida com uma carta de apresentação para recolocação no mercado de trabalho. Você a endereçará a uma pessoa que nunca viu e que provavelmente recebe centenas de cartas como essa na semana. Portanto, cuidado com o tom e o conteúdo. Nada de: “E aí, Fulano de Tal? Tenho um livro incrível que se compara ao Código da Vinci. Você tem de avaliar meu livro porque sou o próximo Dan Brown”.

Sim, isso acontece com frequência, quando a verdadeira ideia da carta é que você se mostre esperto, profissional e interessante.

Certifique-se, também, de que sua carta está bem escrita e gramaticalmente correta. E, por favor, coloque todas as informações de contato: e-mail, endereço, telefone, celular etc. Isso pode parecer óbvio, mas vocês ficariam assustados com a quantidade de autores que anexa no e-mail apenas os capítulos de amostra do manuscrito, sem que eu tenha uma informação se quer sobre ele ou sobre o livro.

Outro erro comum, do nosso queridíssimo autor desavisado, é parecer desesperado. Quantos deles enviam um e-mail para vários agentes e editores ao mesmo tempo, sem ao menos usar a cópia oculta. Agora, imagine como um editor se sente ao ver todos os seus colegas indiscriminadamente em cópia. É muito provável que ele não leve você a sério. Procure, também, não errar o nome desse mesmo editor ou agente.

Acrescente na carta de apresentação informações sobre seu livro. Essa é a parte mais difícil porque você terá de resumir em um parágrafo do que se trata seu manuscrito e para qual público alvo ele é direcionado.


Mas com eu faço isso? Impossível.

Não, não! É totalmente possível.

Vamos brincar de imaginar. Você entrou em um elevador e para sua surpresa o editor dos seus sonhos está nele. Você não pode perder a oportunidade de vender seu manuscrito, do contrário, nunca mais verá aquele homem na sua vida. No elevador você calcula que tem trinta segundos. O que dirá?

Provavelmente, Dan Brown, autor de Código da Vinci, diria: “O professor Robert Langdon, famoso simbologista, recebe uma ligação enigmática. O curador do Louvre foi assassinado e, próximo ao corpo, a polícia encontrou uma pista codificada. Conforme soluciona o enigma, Langdon se torna o principal suspeito do crime e, para sua surpresa, descobrirá uma sociedade secreta que existe desde os tempos de Jesus.”

William P. Young, autor de A Cabana, tentaria algo como: “Após viver quatro anos de tristeza profunda pelo assassinato da filha, Marc Allen Phillips recebe um estranho bilhete, aparentemente enviado por Deus, convidando-o a voltar à cena do crime: uma cabana. Apesar de desconfiado, ele segue para o local e o que encontra mudará completamente sua vida”.

Sim, eu sei, é difícil ter essa presença de espírito no elevador. Por isso, uma de minhas recomendações no check-list foi você escrever a sinopse antes da carta, antes de qualquer outro contato.  Se não der certo na primeira, tente mais algumas vezes.

Além das informações sobre seu livro, a carta de apresentação deve apresentar VOCÊ. Um editor ou agente não está interessado em ouvir toda a história da sua vida, mas quer saber o que você faz e se está qualificado para escrever o manuscrito apresentado.

  • Você já escreveu outras obras? Quais?
  • Qual sua formação?
  • O livro foi baseado em alguma experiência que viveu?
  • Conhece o lugar no qual a trama transcorre?

Abaixo faço um resumo das principais dicas:

  • Escreva num tom profissional e educado;
  • Inclua mais de uma maneira de ser contatado;
  • Mencione porque escolheu aquele editor ou agente;
  • Desenvolva um parágrafo que resuma sua obra, mas que seja apelativo;
  • Explique porque o livro pode ser interessante para o público-alvo.
  • Descreva porque você tem competência (reais, viu?) para escrever sobre o tema que escolheu.

E, por favor:

  • Não mande a carta para diversos agentes e editores ao mesmo tempo;
  • Cuidado para não soar agressivo ou arrogante;
  • Não contate um editor/agente que não trabalha com o gênero do seu livro;
  • Evite escrever um resumo maior do que um parágrafo;
  • Não coloque informações na carta que não são relevantes para o editor/agente (por exemplo, que você adora labradores).
  • Siga rigorosamente as instruções de envio nos sites das agências e editoras.

BOM EXEMPLO DE CARTA DE APRESENTAÇÃO

Prezado Sr. McSill,

Anexo você encontrará uma sinopse e três capítulos de O Caso dos Dez Negrinhos.

Baseado num poema infantil inglês, o livro trata-se de um romance policial, com 80 mil palavras, dividido em 15 capítulos.

Dez pessoas são atraídas a uma mansão situada numa ilha deserta na Costa de Devon. Os convidados ouvem uma mensagem num gramofone acusando-os de assassinato. Presos na ilha por uma tempestade, os hóspedes começam a ser assassinado de acordo com um poema infantil encontrado nos quartos. À medida que as mortes ocorrem, negrinhos de porcelana vão desaparecendo um a um da sala de estar. Como não tem mais ninguém na ilha, chega-se a uma conclusão aterradora: um dos hóspedes é o assassino.

Sou escritora com mais de 80 livros publicados por diversas editoras. Minha obra de maior sucesso é Assassinato no Expresso do Oriente com mais de 3 milhões de livros vendidos no seu primeiro ano de publicação. Morei também em Devon, local em que transcorre a história que apresento.

Se o senhor desejar, posso enviar o manuscrito completo, por e-mail ou impresso.

Obrigado pela atenção. Aguardo notícias.

Respeitosamente,


Agatha Christie

Rua dos Autores Famosos, 123

Cidade da Escrita, AS – Inglaterra

(11) 5555-0000

agathachristie@escritora.com.br

 

James McSill – Em um mercado em que menos que 5% dos bons textos conseguem sequer ser autopublicados, mais de 75% dos autores que procedem das consultorias de James McSill atingem a tão almejada publicação comercial. James trabalha em vários países com textos para literatura, teatro, cinema, TV e Storytelling Corporativo. | ©mcsill | james@mcsill.com