mar 23, 2018 / por James McSill / Nenhum comentário

Na agência, quando a gente conversa sem filtros, a gente fala abertamente que muitos equívocos são cometidos, e com mais frequência – e, pior ainda, o bendito autor/escritor não se acha culpado.

Você cometeu ou comete alguns desses erros?

Há como concertá-los?

Para que você entenda o que se passa nos bastidores, vou revelar essa lista básica de cinco tópicos, que tendem a se repetir na minha lida diária. Muito autor não gosta nem de saber que essas são as nossas conversas internas e sem filtros, porém, se tiver coragem, desafio você a ler até ao fim. Você pode se incomodar, mas estará um passo mais próximo da publicação comercial.

  1. Um conceito terrível

Alguns conceitos de história simplesmente não funcionam. Um romance “educacional” para Jovens Adultos com resmas de explicação sobre ciência climática descrito em um enredo meio mole e sem graça. Um livro para adultos que apresenta a história de vida do papagaio do autor. A simples ‘história do autor’, se ele não for uma pessoa já pública ou pretenda ser. Uma conversa imaginária entre personagens famosos, vivos ou mortos (O dia em que Platão encontrou Lula da Silva… Poupe-me!!) Uma história triste sobre uma crise da meia-idade e tantas histórias clichés. Se você não for um gênio para tornar esses assuntos interessantes, ninguém vai se interessar.

Dá para corrigir? Não! Você só precisa começar de novo. Desculpa!

  1. Um livro que não leva o assunto ao extremo, que não encanta o suficiente

Surpreendentemente, isso é algo que vemos muito. Suspiros que não são muito emocionantes. Comédias que realmente não fazem você rir. Romances que não são realmente tão românticos ou sexy. Ficção motivacional que na verdade não anima o leitor. Histórias têm de ser realmente emocionante. Fim da coisa.

Dá para corrigir? Dá! Você pode corrigi-lo em teoria e com muito trabalho, mas, na maioria das vezes, é melhor apenas escolher uma ideia melhor

  1. Um manuscrito escrito para um público que não existe mais

A menos que faça algo distintamente novo, não há nenhuma razão pela qual agentes, editores ou leitores devam favorecer o seu livro sobre outros mais contemporâneos no momento da compra. Pior aqui são os livros infantis que parecem escritos para crianças da década de 1950. Crianças e jovens querem assuntos contemporâneos, a família do ‘comercial de margarina’ nunca existiu, mesmo naquela época. Mas hoje a imagem tornou-se repugnante, uma família ridícula, que parece sair de um culto fundamentalista, homofóbica, sexista e racista. O jovem é mais esperto, mais ligado. Pede histórias do aqui e agora. Veja-se o sucesso dos livros de YouTubers, da biografia da Nany People, dos livros de John Green! Escreve-se para o mundo como é agora.

Dá para corrigir? Possivelmente, não. Porque tende a ser a visão retrógrado do mundo em que vive o autor. Talvez ele seja lido se publicar em uma revista conservadora, ou vendido na livraria do culto conservador que frequenta. Na livraria do aeroporto ninguém compra mais esse tipo de coisa.

  1. Um manuscrito sem «que» discernível

Às vezes, um manuscrito até está bem escrito. É uma história de amor genuína. Parece contemporânea. O manuscrito pode até, em termos de qualidade, demonstrar um ângulo e um bom conceito, no geral, ser cativante. A mulher do viajante do tempo? Eu quero ler mais. Uma escola para feiticeiros? Conta-me sobre isso. Um hacker de computador sueco com Aspergers? Se o seu livro nem tem esse «que» a mais, você provavelmente não vai conseguir publicar. Veja no livro 5 Lições de Storytelling: fatos, ficção e fantasia muitas dicas para dixar o seu texto publicável.

Dá para corrigir? Si. Mas dará muito trabalho. Normalmente, você precisa tomar algum aspecto já existente no romance e levá-lo mais adiante do que até então ousou ir.

  1. Apresentação ruim

Aqueles manuscritos impressos em tinta roxa, por exemplo. Aqueles não nunca viram um corretor de texto ou a pontuação se esqueceu de aparecer para o trabalho na hora em que o autor escrevia. Ter um conhecimento mediano da língua em que você escreve é essencial.

Dá para corrigir? Claro! Vá à livraria mais próxima e compre um livro de gramática e redação. E leia muito, leia tudo, de todos os gêneros. O bom autor é um bom leitor.

 

Se você estiver disposto a investir na sua carreira e tiver condições financeiras, invista em Workshops para Escritores, assessoria, aulas de redação. Ou contrate alguém que o ajude a corrigir os erros. Se as suas condições financeiras não permitirem investir na carreira, use a internet, aprenda os princípios básicos da autoedição para que você possa desenvolver suas próprias habilidades editoriais. Não é um caminho fácil, mas é totalmente factível.

James McSill – Em um mercado em que menos que 5% dos bons textos conseguem sequer ser autopublicados, mais de 75% dos autores que procedem das consultorias de James McSill atingem a tão almejada publicação comercial. James trabalha em vários países com textos para literatura, teatro, cinema, TV e Storytelling Corporativo. | ©mcsill |  [email protected]